Postado por Cléo Audi
“Comunicação interna, quando bem feita, estreita os laços
“Comunicação interna, quando bem feita, estreita os laços
de confiança da equipe na gestão e promove o seu
comprometimento com o sucesso dos negócios”.
Silveira (2003, p. 17)
Mas quando a comunicação interna não é feita de maneira efetiva, quais são as consequências para a organização?
As empresas, preocupadas com sua imagem perante ao público externo, investem um capital muito grande em marketing e publicidade, porém o tempo e dinheiro gastos com a comunicação voltada para seus colaboradores são bem mais modestos. Wilson da Costa Bueno (jornalista, professor
do programa de Pós-Graduação em Comunicação
Social da UMESP e de Jornalismo da ECA/USP, diretor da Comtexto
Comunicação e Pesquisa) diz que as empresas, mesmo as mais prestigiadas, muitas vezes se afirmam preocupadas com este público através de frases como "Nossos colaboradores são o maior patrimônio da empresa". Entretanto, essa preocupação se mostra falsa na prática, principalmente em momentos de crise, revelando uma atitude hipócrita da organização. Como exemplo, ele cita a empresa Embraer, que em 2009 demitiu 4000 funcionários de uma vez, ou seja, reduziu em 20% seu público interno, de maneira bastante desastrada. Como os funcionários que não foram demitidos iriam vestir a camisa da organização? Certamente a relação de confiança entre a empresa e seus colaboradores foi abalada.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, em 2006, mostrou que "78% dos trabalhadores brasileiros não estão engajados com o seu trabalho, emprego ou empresa". Ou seja, eles não vestem a camisa da empresa em que trabalham, porque não se identificam com elas. Isso acontece, em vários casos, por causa da gestão autoritária, ameaças de demissão e assédios morais, bodes expiatórios que são contratados, por não existir um incentivo para a maior participação dos funcionários, e sim uma pressão por resultados e estímulo à competição. A desmotivação geral é consequência. E o que isso pode acarretar para a organização?
Existem três tipo de colaboradores, os engajados e motivados com o trabalho que estão realizando (29% de acordo com a Gallup); os não estão engajados que apenas trabalham, mas não possuem paixão ou sentimento de pertencimento à empresa (54%); e os ativamente desengajados, que não colocam nenhuma energia no trabalho que realizam, estão insatisfeitos e fazem questão de dizer isso às outras pessoas (17%).
O primeiro problema foi descrito por Gustavo Oliveira, diretor da Gallup do Brasil: "O poder de destruição de um ativamente desengajado é muito maior do que o
de construção de um engajado: nos nossos estudos, identificamos que
para fazer frente a cada funcionário ativamente desengajado são
necessários quatro engajados”. Quanto maior o número de funcionários insatisfeito com a organização, mais riscos ela corre em relação à sua imagem e reputação perante todos os seus públicos. Além disso, de acordo com Maria Russel, Professora de Relações Públicas de Syracuse University, esses dados são preocupantes na medida em que muitas das ações planejadas para a comunicação interna podem ir direto para o lixo, podendo virar "cinismo". Ela diz, também, que as informações precisam ser relevantes e gerar credibilidade e que o papel do comunicador não é somente fazer a comunicação interna, mas também ensinar à liderança como se comunicar mais efetivamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário