Postado por Cléo Audi
Os Jogos Olímpicos de Londres
terminaram com muita festa no dia 12 de agosto e uma apresentação curta do
Brasil na cerimônia de encerramento. No mesmo fim de semana, os brasileiros
comemoraram a vitória da seleção de vôlei feminino diante das gigantes
americanas. A medalha de ouro calou a mídia brasileira que, durante a campanha
olímpica, fez diversas críticas ao time de José Roberto Guimarães. Já a seleção
masculina de vôlei sofreu uma virada histórica da Rússia no último jogo.
Faltava apenas um ponto para o final de 3x0 sobre os adversários e, mesmo assim,
os russos conseguiram a virada.
Pensando nos jogadores e no
técnico como o público interno da “organização Seleção Brasileira de Vôlei”,
como a confiança ajudou ou atrapalhou a performance de ambos os times?
Na primeira fase de
classificação, as brasileiras vinham de uma situação pouco favorável devido a
problemas internos, polêmicas e resultados ruins nos últimos tempos, resultando
na falta de confiança da equipe (situação semelhante pode ser encontrada em
algumas organizações). Assim, os primeiros resultados nos Jogos refletiram a
situação em que se encontravam, perdendo para os Estados Unidos e Coreia do
Sul e dependendo do resultado de outro jogo para a classificação para a próxima
fase. Os Estados Unidos, por mais que não precisassem de um resultado positivo
contra a Turquia na primeira fase, foram um exemplo de ética e competição
saudável ao se esforçarem para ganhar a partida. Caso contrário, o Brasil seria desclassificado
da competição. Como consequência, as críticas vindas da grande mídia não eram poucas. De acordo
com a jogadora Thaisa, a seleção vinha de duas derrotas, ninguém mais
acreditava nelas e toda essa situação estava mexendo com o time de maneira
negativa.
Nesses momentos, o papel do
técnico (ou líder) é evidenciado. Ele é o responsável não só pelas novas
estratégias de jogo, e sim pela motivação de uma equipe desacreditada. O técnico
Zé Roberto, desempenhando seu papel de líder e mostrando maturidade, adotou uma
postura diferente das jogadoras, afirmando que conviver com as críticas é algo
necessário e a pressão do público sobre uma seleção
vitoriosa em outros campeonatos é natural. A cobrança do torcedor e da mídia é
passional e as jogadoras não deveriam se preocupar com isso. Dessa maneira, percebe-se a importância do equilíbrio emocional das integrantes da
equipe, do foco nos objetivos e da confiança na experiência e no conhecimento de seu
técnico.
Por outro lado, a equipe
masculina de vôlei também chegou desacreditada nos Jogos Olímpicos, devido a atuações
ruins na Liga Mundial, mas logo mostrou sua capacidade de recuperação, reconquistando
a confiança dos torcedores e da mídia. Entretanto, após uma ótima campanha nas
Olimpíadas de 2012, e a um ponto de ganhar o ouro contra a Rússia na final,
sofreu a virada dos adversários e ficou com a prata. Talvez a confiança
exagerada na superioridade diante dos outros times e a certeza do ouro
cegou a seleção brasileira, fazendo com que não dessem a devida importância aos
seus competidores e fossem superados por eles.
Concluindo, relacionando tais situações com o cenário organizacional, percebe-se a importância da relação de confiança
do líder com os colaboradores para o sucesso do negócio. Entretanto, confiança demais
pode atrapalhar na análise do mercado e de seus concorrentes e, antes do que se
imagina, o negócio pode perder competitividade. Tratando-se de mercado, a superação da crise torna-se mais difícil de resolver, o que pode acarretar em
perda de confiança interna e até mesmo a perda do negócio.
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