CONFIANÇA E CREDIBILIDADE: A IMPORTÂNCIA DOS DOIS C'S NA COMUNICAÇÃO INTERNA


sábado, 18 de agosto de 2012

Case: As seleções brasileiras de vôlei nas Olimpíadas de Londres


Postado por Cléo Audi

Os Jogos Olímpicos de Londres terminaram com muita festa no dia 12 de agosto e uma apresentação curta do Brasil na cerimônia de encerramento. No mesmo fim de semana, os brasileiros comemoraram a vitória da seleção de vôlei feminino diante das gigantes americanas. A medalha de ouro calou a mídia brasileira que, durante a campanha olímpica, fez diversas críticas ao time de José Roberto Guimarães. Já a seleção masculina de vôlei sofreu uma virada histórica da Rússia no último jogo. Faltava apenas um ponto para o final de 3x0 sobre os adversários e, mesmo assim, os russos conseguiram a virada.

Pensando nos jogadores e no técnico como o público interno da “organização Seleção Brasileira de Vôlei”, como a confiança ajudou ou atrapalhou a performance de ambos os times?

Na primeira fase de classificação, as brasileiras vinham de uma situação pouco favorável devido a problemas internos, polêmicas e resultados ruins nos últimos tempos, resultando na falta de confiança da equipe (situação semelhante pode ser encontrada em algumas organizações). Assim, os primeiros resultados nos Jogos refletiram a situação em que se encontravam, perdendo para os Estados Unidos e Coreia do Sul e dependendo do resultado de outro jogo para a classificação para a próxima fase. Os Estados Unidos, por mais que não precisassem de um resultado positivo contra a Turquia na primeira fase, foram um exemplo de ética e competição saudável ao se esforçarem para ganhar a partida. Caso contrário, o Brasil seria desclassificado da competição. Como consequência, as críticas vindas da grande mídia não eram poucas. De acordo com a jogadora Thaisa, a seleção vinha de duas derrotas, ninguém mais acreditava nelas e toda essa situação estava mexendo com o time de maneira negativa.

Nesses momentos, o papel do técnico (ou líder) é evidenciado. Ele é o responsável não só pelas novas estratégias de jogo, e sim pela motivação de uma equipe desacreditada. O técnico Zé Roberto, desempenhando seu papel de líder e mostrando maturidade, adotou uma postura diferente das jogadoras, afirmando que conviver com as críticas é algo necessário e a pressão do público sobre  uma seleção vitoriosa em outros campeonatos é natural. A cobrança do torcedor e da mídia é passional e as jogadoras não deveriam se preocupar com isso. Dessa maneira, percebe-se a importância do equilíbrio emocional das integrantes da equipe, do foco nos objetivos e da confiança na experiência e no conhecimento de seu técnico.

Nas fases seguintes, o trabalho do líder com seu público interno rendeu a melhoria da performance do time e as meninas foram ganhando e avançando para as próximas fases. Elas, inclusive, ganharam as quartas de final contra a forte equipe da Rússia em um jogo bastante disputado. Mas foi contra a final com os Estados Unidos que a seleção se superou. No primeiro set, as americanas massacraram as brasileiras por 25 a 11. A superioridade americana parecia muito maior diante da campanha instável das brasileiras. Entretanto, a confiança perdida dos torcedores contrastou com a motivação da equipe brasileira, que ganhou o jogo por 3 sets a 1 quando ninguém mais acreditava que seria possível. Se não houvesse um trabalho interno muito forte de confiança e motivação entre treinador e jogadoras, provavelmente a equipe feminina não teria chegado nem às oitavas de final.

Por outro lado, a equipe masculina de vôlei também chegou desacreditada nos Jogos Olímpicos, devido a atuações ruins na Liga Mundial, mas logo mostrou sua capacidade de recuperação, reconquistando a confiança dos torcedores e da mídia. Entretanto, após uma ótima campanha nas Olimpíadas de 2012, e a um ponto de ganhar o ouro contra a Rússia na final, sofreu a virada dos adversários e ficou com a prata. Talvez a confiança exagerada na superioridade diante dos outros times e a certeza do ouro cegou a seleção brasileira, fazendo com que não dessem a devida importância aos seus competidores e fossem superados por eles.

Concluindo, relacionando tais situações com o cenário organizacional, percebe-se a importância da relação de confiança do líder com os colaboradores para o sucesso do negócio. Entretanto, confiança demais pode atrapalhar na análise do mercado e de seus concorrentes e, antes do que se imagina, o negócio pode perder competitividade. Tratando-se de mercado, a superação da crise torna-se mais difícil de resolver, o que pode acarretar em perda de confiança interna e até mesmo a perda do negócio.





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